Se você acha que Natal sem glúten é passar a ceia olhando a travessa de rabanada de longe, então este texto é para você. Afinal, hoje eu vou te mostrar como fazer esta Rabanada de chocotone sem glúten: douradinha por fora, molhadinha por dentro e com pedacinhos de chocolate em cada mordida.
A rabanada tradicional, porém, é feita com pão de trigo, leite de vaca e muito açúcar refinado. Ou seja, é aquela combinação que parece inofensiva na mesa de Natal, mas inflama o corpo e deixa aquela sensação de peso depois da ceia. Além disso, quem tem doença celíaca ou sensibilidade ao glúten geralmente fica de fora da sobremesa mais querida das festas.
Mas e se eu te disser que dá para fazer rabanada sem abrir mão de nada? Pois é exatamente isso que você vai aprender hoje. Vamos fazer o pão do zero, com gostinho de panetone e recheado de chocolate, sem glúten, sem leite e sem açúcar refinado. Afinal, se tem uma coisa em que o brasileiro é bom, é criatividade. Então por que não juntar duas tradições de Natal numa receita só?
Salve, salve! Tudo bem? Meu nome é Marcelo Horta, especialista em alimentação anti-inflamatória, sem glúten e sem leite. Antes de mais nada, caso prefira acompanhar o passo a passo comigo em vídeo, é só apertar aqui embaixo e assistir.
O segredo está no pão
O segredo desta Rabanada de Chocotone Sem Glúten começa bem antes da frigideira, porque tudo depende de um pão bem feito. Muita gente faz pão sem glúten igual bolo: joga tudo na batedeira, bate e pronto. Como resultado, sai uma massa com cara e textura de bolo.
Por isso, eu sempre faço três pré-preparos simples. Primeiramente, ativo o fermento, que está “dormindo” e precisa ser acordado. Isso garante que ele está funcionando e deixa o pão mais levinho. Em seguida, hidrato o psyllium, uma fibra natural que forma uma malha e faz o papel do glúten. Por fim, dissolvo a goma xantana na gordura, porque assim ela não empelota e não deixa a massa solada.
Ingredientes da Rabanada de Chocotone Sem Glúten
- 100 g de farinha de grão de bico
- 60 g de farinha de arroz
- 100 g de fécula de batata
- 40 g de polvilho doce
- 10 g de fermento biológico seco
- 10 g de psyllium
- 100 ml de água fervente (para o psyllium)
- 5 g de goma xantana
- 50 g de gordura (eu usei gordura de palma)
- 2 ovos
- 140 g de açúcar demerara
- 20 g de essência de panetone
- 55 g de chocolate 70% sem açúcar e sem leite, picado
- Um pouquinho de água para ativar o fermento
- Azeite para untar as mãos e a forma
Confissão do chef: eu adoro a farinha de grão de bico nesse pão, pois ela dá leveza e tem um sabor suave. Mas, se você não quiser usar, não tem problema. Basta trocar pela mesma quantidade de farinha de arroz.
Quanto ao açúcar, você pode usar o da sua preferência, desde que não seja o refinado. Da mesma forma, se encontrar um bom chocolate em gotinhas, sem açúcar e sem leite, pode usar no lugar do picado.
Como fazer essa delícia?
1. Faça os três pré-preparos
Antes de mais nada, misture o fermento com a água morna e um pouquinho da farinha de arroz da receita, e deixe descansar até crescer bastante. Atenção: a água e a farinha dessa etapa saem das quantidades da receita. Se você colocar ingrediente a mais, a receita desanda. Enquanto isso, ferva a água e despeje sobre o psyllium, na proporção de uma parte de psyllium para dez de água. Bata com o batedor de arame (ou com um fuê, na mão) até formar uma malha grossa e elástica. Logo depois, misture a gordura com a goma xantana e reserve.
2. Monte a massa
Em seguida, junte ao psyllium a farinha de grão de bico, o restante da farinha de arroz, o polvilho doce e a fécula de batata. Troque para o batedor raquete e bata devagarzinho, para a farinha não voar pela casa toda, até virar uma farofinha em flocos, sem pedaços grandes de psyllium. Então volte ao batedor, acrescente o açúcar, os ovos, a essência de panetone e o fermento ativado. Repare que, nesse ponto, a massa fica bem líquida, parecendo massa de bolo. Calma, é assim mesmo! Por fim, entre com a gordura e a goma xantana: é ela que transforma a massa em massa de pão, que ganha corpo e fica modelável. Se precisar, ajuste o ponto com um pouquinho de água. Para terminar, junte o chocolate e bata bem devagar, para não aquecer a massa.
3. Modele, deixe crescer e asse
Logo após, unte as mãos com um pouquinho de azeite e divida a massa em porções de 400 g, assim todos os pães ficam do mesmo tamanho. Abra cada porção em formato de retângulo e enrole, como no pão francês, porque isso ajuda a acumular ar dentro da massa. Ajeite na forma untada com a costura sempre para baixo. Dica: faça movimentos que vão ganhando amplitude, e nunca fique mexendo no mesmo ponto. Depois, cubra e deixe descansar de 40 minutos a 1 hora, até aparecerem buraquinhos na superfície. Guie-se pelo ponto da massa, e não pelo relógio, pois o tempo muda conforme a temperatura da sua casa. Então leve para assar em forno pré aquecido a 190 graus.
4. Monte as rabanadas
Dica de ouro: faça o pão num dia e as rabanadas no outro. Pão muito fresquinho fica macio demais e se desfaz na hora de virar rabanada. Primeiramente, corte o pão em fatias mais gordinhas, entre um dedo e meio e dois dedos de espessura. Em seguida, tempere o leite vegetal com baunilha e, se você for formiguinha, adoce um pouquinho. Passe cada fatia no leite e deixe absorver bem, até ficar molhadinha. Depois, bata os ovos. Se não tiver batedeira, bata primeiro as claras até ficarem firmes e só então incorpore as gemas. Logo após, passe as fatias no ovo e leve à frigideira em fogo médio, até dourar dos dois lados. Por fim, escorra o excesso de gordura e envolva na mistura de açúcar e canela.
Agora, vamos aprender como fazer as substituições possíveis e ajustes pra cada pessoa?
Se você quiser adaptar a receita de acordo com suas necessidades, aqui vão algumas substituições que funcionam muito bem:
Essência de panetone + chocolate: se você tirar os dois, vai ter um pão mais neutro, que lembra a rabanada tradicional. E nesse caso, eu diminuiria o açúcar para 1 terço.
Açúcar demerara: pode usar adoçante de qualidade na mesma proporção. Eu gosto muito do adoçante keto da Ingredientes Online, porque ele carameliza bem.
Leite vegetal: use o da sua preferência. Eu usei leite de coco, mas pode ser outro.
Versão vegana: substitua os ovos da massa por 40g de inhame cozido e, para empanar, bata castanhas com água quente até formar um creme. Dá super certo!
Assada ou na Airfryer: funciona sim, mas saiba que vai ficar mais branquinha e com menos casquinha. Isso porque a crosta da rabanada é feita com a gordura, que ajuda a grudar o açúcar e a canela.
Ou seja, dá pra adaptar do jeitinho que for melhor pra você, sem abrir mão do sabor.
Para servir com quem você ama
Enfim, agora é só chamar a família toda, colocar aquela música de Natal e servir esta Rabanada de Chocotone Sem Glúten ainda quentinha. Sem dúvida, quem provar não vai acreditar que não tem glúten nem leite. E aposto que ela vai virar tradição na sua ceia. Depois me marca lá no Instagram e me conta para quem você serviu e o que acharam!
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Afinal, panetone de verdade é uma das receitas mais difíceis da panificação. Sem glúten, então, quase ninguém sabe fazer. Por isso, eu levei anos testando até chegar numa massa alta, fofinha e que desfia em fios, do jeito tradicional italiano, sem glúten, sem leite e sem açúcar refinado.
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Te espero lá!
Um beijo do chef e até a próxima.



